O Museu Brasileiro de Esculturas - MuBE - recebeu nesta quarta-feira, em que se comemorou o Dia do Museu, um seleto grupo para discutir o tema Memória, Futuro: transversalidades.
Na abertura dos trabalhos, Olívio Guedes, diretor cultural da instituição, destacou o caráter transdiciplinar do Museu e a rotatividade das obras ali apresentadas que, na sua opinião, "devem entrar no MuBE, ser fotografadas, filmadas, discutidas, gerar catálogos, livros, para depois se retirarem, deixando o espaço vazio para ser preenchido ad eternum". Para Olívio, o museu deve ser visto como um lugar para se retrabalhar e repensar o passado.
Após um breve apanhado sobre a história dos museus, passou a palavra ao Dr. Edson Leite, professor de Patrimônio Histórico na ECA e atual vice-diretor da USP-Leste, que complementou o tema destacando que, se antes o museu era o lugar que servia de abrigo a coleções de objetos raros que atravessaram gerações, hoje se abre a novas possibilidades. Como exemplo, citou o Museu do Botão, que abriga uma coleção desse objeto da vida cotidiana, aparentemente sem valor; ou o Museu da Pessoa, que tem como suporte os vídeos com depoimentos gravados - de pessoas comuns a celebridades. A importância atual dos museus, segundo Edson, não se atém àquilo que mostra nem ao seu acervo, mas à pesquisa que pode ser feita a partir disso.
Na sequência, a Dra. Zélia Ramozzi-Chiarottino, professora do Instituto de Psicolgia da USP, evidenciou a importância dos museus como lugares para a ampliação da consciência no espaço e no tempo, especialmente por meio do resgate da história, representada por seus acervos. Destacou ainda a grande diferença entre as visitas virtuais proporcionadas pelos recursos tecnológicos em contraposição às visitas presenciais: "na Internet as cores e dimensões das obras são diferentes, não causam o mesmo impacto que a obra vista frente à frente". Além disso, na sua opinião, cada vez que se visita um museu - ainda que seja o mesmo - novas impressões são experimentadas, posssibilitando a ampliação da consciência.
No encerramento, Camila Leoni Nascimento e Nelson Luis Colás da FEAMBRA - Federação de Amigos de Museus no Brasil destacaram a importância dessas entidades presentes em 34 países, reunindo cerca de 2 milhões de pessoas. "Os Amigos de Museus operam como embaixadores, apoiando a entidade a que pertencem de diversas formas: divulgação, pesquisa, oferecem seu tempo, conhecimento, produtos ou experiência, disponibilizando também sua rede de contatos inclusive para a captação de recursos".
Um bate-papo descontraído e esclarecedor, que certamente possibilitou ao público presente novos pontos de vista sobre esses espaços em que se debruçam os olhares, nem sempre capazes de enxergar todas as possibilidades ali contidas.
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