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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Facebook: vale a linguagem falada ou a escrita?


Dúvida apresentada por meu amigo "virtual" Jacintho Cardoso, de Recife:
"Regina, li ontem em um jornal, que estamos aqui, no Facebook, exagerando nos pontos de exclamação. Palavras às vezes com cinco, seis exclamações, etc.

Não foi uma opinião do jornal, mas de um jornalista. Será que estamos?

Gosto do FB, até porque voltei a escrever, fazia tempo que não escrevia publicamente. Dava pareceres, já fui auditor, coisa quase padronizada. Pretendo estudar a nova ortografia da língua portuguesa. Acho importante valorizar nossa língua. Que acha disso tudo? Para mim uma opinião valiosa! Bjs!"

O questionamento me honrou e me levou a refletir sobre o tema. Pedi licença ao amigo para aproveitar nossa conversa virtual e tranformá-la num post. Eis a minha resposta:

"Oi, Jacintho! A meu ver, aqui no Facebook, a linguagem é mais coloquial e emocional. Cabem as exclamações (há várias interjeições quando falamos, não é mesmo?), as reticências, as onomatopeias (que, acredito, já não têm acento... rs...) e outras "barbaridades" que não cabem nos textos formais e, às vezes, nem mesmo na literatura. Isto aqui é um bate-papo, especialmente nas conversas mural-a-mural - linguagem falada. Já nas notas, podemos caprichar mais, pois são mais longas, nos oferecem mais tempo para refletir, como na elaboração de um texto comum - linguagem escrita. O que for mais sério e bem pensado, pode ser postado num blog e compartilhado resumidamente através de um link. Bjks!"

Assim funcionam as redes sociais, aproximando as pessoas e alimentando discussões instigantes e produtivas. Cabe lembrar que a mesma delicadeza e cordialidade empregadas no mundo real devem ser estendidas para o mundo virtual, ok?

Então, salvo os costumeiros erros de digitação, desde que não escrevamos "exemplo" com "z", "precaução" com dois "s" e outras adaptações que não considero justificáveis, no correr das páginas facebookianas creio que vale o falado. Estou certa ou estou errada?

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Jornalismo para todos?


Excelente tribuna, o Facebook, que permite discussões com gente inteligente de todos os cantos do mundo sobre os mais variados temas. Hoje, meti-me numa, sobre o ocaso da profissão de jornalista. Como em toda discussão que se preze, há os contra - e, ops, unanimidade, ninguém a favor. Mas, como os pré-requisitos para o exercício da profissão deixaram de exitir por decreto, penso que não adianta chorar sobre o leite derramado; é preciso arregaçar as mangas e buscar fazer o melhor possível utilizando as novas mídias.

Apesar de ser jornalista "juramentada", com registro na Carteira Profissional e tudo a que tenho direito, percebo que o slogan "nada supera o talento" (criado por e para a publicidade, é verdade) deve ser assumido pelo jornalismo. É bom que ocupemos estes espaços antes que desavisados o façam. Penso que nada supera o conteúdo. Se for bom, de interesse, alinhado com os anseios das pessoas de se verem ali representadas, terá audiência. Provavelmente, atrairá patrocínio. Aí, para viver de jornalismo, é seguir o exemplo do Marcelo Tas, que não tem vergonha de ser patrocinado.

Uma colega se queixa da possibilidade de jamais recuperar o investimento feito na carreira - faculdade, cursos e outros que tais. Outra, de ficar desempregada por não ser "nativa" das novas mídias e tecnologias. Acredito que sempre haverá lugar nas empresas jornalísticas para bons profissionais. Que terão, sim, de estar antenados e dominar as novas tecnologias. Não acontece só com a gente não. Contabilistas, engenheiros, médicos - a cada dia aparece uma traquitana diferente que eles têm de dominar, seja uma maneira de mandar informações para a Receita Federal, um novo software que substitui centenas de cálculos e cria os projetos em 3D ou sofisticadas engenhocas a laser para diagnosticar e curar. É o curso da carreira; sem volta.

Outro colega pergunta se quem "não tem vergonha de ser patrocinado" pode ser considerado "sem vergonha". Diz-se vexado pelos rumos do jornalismo atual e cita John Lennon: "It's all show bizz". Concordo: Lennon estava certo. Não vamos voltar à velha discussão da sociedade capitalista, mas jornalismo, há tempos, virou business. Dos grandes. Dominado internacionalmente pela política, pela igreja - bons tempos em que Silvio Santos, o homem do Baú, tinha pretensões de tornar-se dono de rede de TV. Pelo menos sabíamos o que ele vendia: "carnês de felicidade".

Atualmente as intituições (ou os instituídos, tanto faz), querem vender "felicidade-pão-e-circo" e ainda nos ameaçar com uma seleção de tragédias para nos torturar com insegurança em vários níveis diariamente. Não são claros, não dizem a que vêm. Dão com uma mão, nos tiram com outras dez. Se pudermos ocupar o mínimo espaço que seja, em qualquer tipo de mídia, para mostrar isso, alertar os menos preparados a identificar este tipo de manipulação, já terá valido a pena.

Tenho orgulho do Tas, não o acho sem vergonha. Sou da geração dele e vejo que foi um dos poucos que sempre manteve a linha da decência e da coerência. Trabalhou na TV Cultura, fez algo na direção da educação. Quanto ao fato dele não ter vergonha de ser patrocinado, o dinheiro, a meu ver, tem de vir de algum lugar. Então, se ele consegue ser pago para falar mal das instituições (é meio morder a mão que o alimenta - mas tem gente que gosta de sofrer, hehe...) está de parabéns.

Quisera eu ser bem paga para falar o que me vem pela cabeça - e, de quebra, construir uma crítica ferina fazendo o povo rir e refletir. Por enquanto, patrocínio, só de Deus, que me dá saúde, o do meu anjo da guarda, que me oferece alguma lucidez. Então, amigos, é correr atrás para não sermos peremptoriamente atropelados. Na minha idade, devagar e sempre vale mais que vitória na Fórmula 1.

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