quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

O encontro da tradição com a realidade virtual

Uma arena para todas as tribos; um ambiente diversificado e plural, onde todo tipo de diversão encontrou seu espaço: assim foi a aventura Campus Party.

No Campus Futuro, era possível curtir jogos futuristas como o Kung Ass Fu, em que os participantes reais lutavam contra inimigos virtuais, desferindo golpes no ar e atingindo os adversários presentificados por imagens projetadas numa tela.

Num estande ao lado, um jogo de realidade virtual, o VirtuaSphere, inseria o usuário num cenário de treinamento elaborado com a ajuda de uma esfera gigante e óculos que criam ambientes e efeitos especiais.

Para os menos inovadores, o já consagrado touro mecânico instalado no estande da Linux também proporcionou momentos de boa diversão.

Mas a sacada mais inusitada ficou por conta da Secretaria de Esportes e Turismo de São Paulo, que montou uma réplica de botequim num dos cantos da feira, abrindo espaço para a tradição dos jogos de salão mais queridos de todos: damas, xadrez, sinuca e até futebol de botão.

Vista do "botequim" montado pela Secretaria: graça, elegância e nostalgia

Relembrando meus bons tempos de player,
quando dava de 10 no meu irmão Fernando...
Foto: Mauro Rubens

Resgatando a tradição do tempo que demora a passar, inventado para se curtir a vida sem pressa, os tabuleiros reuniram amigos, como os enxadristas Lucas, 15 anos, João Paulo, 18 e Guilherme, 17, compenetrados numa acirrada disputa.

Os meninos são bons, mas a foto é posada... Obrigada, galera!

Serviram também, como num passado nem tão distante, para fortalecer as relações familiares, aproximando ainda mais o técnico em eletrônica Albino de seu filho Gabriel, de 10 anos.

Esses flagrantes só reforçaram a idéia inicial de que, apesar da evolução da tecnologia, prevalece o humano sobre a máquina e valores como amizade, amor, carinho e respeito sobrepujam novos hábitos, sendo capazes de emocionar tanto ou mais que os sofisticados e surpreendentes recursos que nos permitem "criar" realidades.

Fotos e imagens: Regina Azevedo

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

É cam-pe-ãooooo!!!!

Nos corredores do Campus Party não raro encontramos algum medalhista. Evidente que não nos esportes tradicionais, mas em outros igualmente emocionantes; como o carioca Fernando Borges, de Campos dos Goytacazes, a segunda cidade mais importante do Rio de Janeiro. Fernando sagrou-se campeão no Landmass, um jogo do tipo FPS (First Person Shooter) que pode ser baixado gratuitamente.

Baseado na hierarquia militar, os níveis de evolução do game seguem as patentes do exército; para alcançá-las, cada jogador precisa somar experiência em sucessivas partidas, seguindo os critérios dos jogos RPG (Role-Playing Game, Jogo de Interpretação de Personagem).

Mais adiante, deparamos com a dupla Marcos Paulo Chaves e Matheus de Melo, da Escola ENIAC, de Guarulhos, São Paulo, vencedores da etapa nacional do jogo Bridge Battle. Ambos são responsáveis pela montagem do robô cuja principal missão é capturar e despejar, ordenada e rapidamente, bolinhas de tênis num perímetro demarcado.

Matheus e Marcos Paulo: talentos made in Brazil

Classificada para a final do Vex Robotics World Championship, a equipe embarca em maio para Northridge, na Califórnia, para disputar as finais.

Imagens: Mauro Rubens, captadas com celular
Fotos: Regina Azevedo

Conclamamos a torcida brasileira a enviar boas vibrações aos nossos jovens heróis. Muita sorte e sucesso é o que lhes desejamos!

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Animobile, o software livre de animação em celular

Aconteceu ontem no espaço Criatividade a palestra do diretor de WebTV e VJ Mauro Rubens da Silva sobre o Animobile, o software livre que criou para animação de fotos em celular a partir do Mobile Processing.

Mauro explicou como funciona este software simples e eficiente, a partir do qual as pessoas podem animar suas próprias fotos em seus aparelhos celulares; deu dicas ainda sobre o projeto Kinemobile, para animação de sets de vídeo em celular, e sobre seu consagrado software VJ LAB, criado por ele para aqueles que realizam ou curtem performances de VJ.

Layout do Animobile: amigável e de simples manuseio

Apresentação do VJ LAB

Num "esforço de reportagem", como diria um velho jargão jornalístico, Mauro Rubens, que participou do Campus Party a convite do Mobilefest, auto-registrou a palestra em seu próprio celular acoplado à "coisa", outra invenção do criativo VJ. Feito a partir da técnica de papel machê, "a coisa" funciona como um suporte para os portáteis que pode ser acoplado a um tripé comum.



Após a palestra, Mauro apresentou sua criação a Mr. Maddog, que deu todo apoio a mais esta iniciativa pró-software livre.


Para conhecer o Animobile, acesse http://outraspalavraslivros.com.br/applet/index.html
Para saber mais sobre Mauro Rubens, acesse http://youtube.com/maurorubens; http://youtube.com/tvopbr; http://maurorubens.blogspot.com/

Fotos: Regina Azevedo

Computarte

Modding é a arte de personalizar computadores e periféricos e aqui nós destacamos o trabalho de Maciel Barreto, 28 anos, artista plástico de Itajuípe, Bahia. Aliás, nós e a torcida do Corínthians...

Maciel foi um dos mais filmados, fotografados e entrevistados campuseiros, tanto pela originalidade de seu projeto quanto pela estratégica localização: ele instalou seu computador logo na primeira bancada, em frente à escada rolante que dava acesso ao segundo andar . O artista nos conta que foram mais de cinco meses de trabalho e mais de R$ 1.000,00 investidos na transformação. Foram feitas várias fôrmas em gesso até alcançar o modelo atual, finalizado em fibra de vidro e acrílico. A pintura aerografada empregou tinta automotiva para dar o efeito metálico. O mouse acompanha o mesmo layout de caveira.


O artista vem se especializando em técnicas mistas, como nas obras que "expomos" abaixo, utilizando fundo aerografado e pintura a óleo.

Parabéns, Maciel, que esta exposição seja o começo de muitas outras! Sucesso, querido!

Fotos: Regina Azevedo (as dos quadros foram cedidas por Maciel).

Figurões, figuras, figurinhas...

Na primeira versão brasileira, ele não poderia faltar: Jon "Maddog" Hall, colaborador de Linus Torvalds no desenvolvimento do sistema operacional Linux, atual presidente da Linux International e defensor do software livre, tema sobre o qual proferiu uma das mais concorridas palestras do evento.

Tentei surpreender Mr. Maddog com meu clique numa das rampas do Campus Party, mas, atento, acostumado e benevolente com a imprensa, ele tratou de encarar a câmera e sorrir. Mais tarde, abordei-o novamente no lounge vip e, pacientemente, ele declarou ter gostado da organização do evento e ter percebido notável diferença de comportamento do público brasileiro em relação ao espanhol: aqui as pessoas privilegiam a interação humana e a troca de idéias.

É a terceira vez que Jon Hall vem ao Brasil; disse "ter amado e odiado São Paulo" - adorou as pessoas, odiou o trânsito. Enfatizou a boa receptividade do público brasileiro às propostas do Campus Party: "tanto aqui como na Espanha, trata-se do mesmo evento".

Pouco mais tarde reencontrei o técnico em CPD Caio dos Santos, de 24 anos, meu amiguinho campuseiro engajado com a causa "Abraços Grátis", a quem eu já havia abraçado no primeiro dia. Ele me conta que começou a circular com o cartaz de brincadeira, provocando um amigo que havia levado uma porção de mensagens escritas. Até o momento da entrevista (sexta-feira, por volta das 18h30), havia contabilizado 707 abraços. O mais importante, ele destaca, foi receber o abraço de sua mãe, que veio da Praia Grande, cidade do litoral paulista, exclusivamente para abraçá-lo, depois de tê-lo visto na televisão.

A campanha Abraços Grátis, da qual também faço parte, tem uma linda história que você pode conferir no endereço www.youtube.com/watch?v=vr3x_RRJdd4

Abrace esta causa!! (Caio e eu na abertura do Campus Party, ao som da Bateria da Nenê de Vila Matilde; ao final, um abraço gostooooso de um campuseiro anônimo)

Imagens: Mauro Rubens da Silva, captadas com celular
Foto de Maddog: Regina Azevedo
Foto de Regina e Caio: um campuseiro amoroso, não identificado (Obrigada!!)

BarCamp, a saideira...

Puxa... tá acabando... Mas ainda dá tempo de mostrar o que rolou, rola e ainda vai rolar nas arenas do Campus Party. A começar pelo que está por vir e que ainda vale a pena acompanhar...

Hoje, às 16h, na área BarCamp, a professora Juliana Prado Uchôa propõe um "Debate sobre propostas de projetos que devem e podem ser realizados pós-Campus Party". Casualmente, Juliana foi uma de nossas entrevistadas na tarde de ontem e criticava exatamente o fato de não ter conseguido participar até então desses encontros.

"Campus Party é muito mais que uma Lan House gigante!", afirma Juliana.

Foto: Regina Azevedo

Para quem não sabe do que se trata, BarCamp se apresenta como uma proposta de "desconferência". Até agora esse termo não me convenceu; primeiro porque, a mim, parece mais uma ampla discussão: o fato de não haver um conferencista em destaque para levar a termo um assunto, mediante o qual todos expõe suas opiniões, e as propostas de temas serem livres, não caracterizam novidade. A meu ver, trata-se apenas de uma conversa no melhor estilo democrático, focada nos interesses particulares dos proponentes inscritos.

De acordo com a retórica clássica, recuperada por Chaïn Perelman, há notável diferença entre debate e discussão, pois, "no debate, cada interlocutor só aventaria argumentos favoráveis à sua tese e só se preocuparia com argumentos que são desfavoráveis para refutá-los ou limitar-lhes o alcance" enquanto que, na discussão, "os interlocutores buscam honestamente e sem preconceitos a melhor solução de um problema controvertido". Creio ser esta última a proposta do BarCamp.

Se alguém puder me ajudar a esclarecer melhor como funciona o BarCamp na prática, vai colaborar com nossa intenção de agregar a melhor informação possível aos leitores deste blog. Brigadão!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Intertour

Caramba! Tanta coisa pra ver, gente legal pra conhecer, conhecimento pra compartilhar... Mas vamos por partes, como diria o esquartejador...

Começando por algumas atrações do piso superior, onde os campuseiros compartilham um mar de computadores organizados por áreas. Do outro lado, encontram-se as arenas em que são realizadas as palestras, debates e performances. Como não há divisórias, é comum que o som de uma atividade invada o espaço de outra, mas até agora, tudo bem. Respeitando o clima de acampamento que o espaço inspira, há quem prefira acompanhar as palestras deitado em descontraídos pufes ou almofadões.


Pensando no conforto dos participantes, a Telefônica instalou no mesmo andar, ao fundo, uma sala confortável, repleta de sofás, com TVs de plasma que exibem programas dos canais por assinatura; os visitantes podem aproveitar para massagear as pernas com a ajuda de um aparelho vibratório ou mesmo agendar uma quick-massage, realizada por hábeis profissionais. As luzes, cores e o próprio layout do espaço sugerem uma única palavra: relax!

Para quem quer um pouco de diversão, o estande do Flickr disponibiliza para fotos perucas e adereços coloridos para compor uma "peruagem" básica... Tomadas instantâneas ficam penduradas nas paredes, formando um grande painel. Quem quiser, pode disponibilizar seus cliques inscrevendo-se em http://www.flickr.com/groups/campuspartybr seguindo os preceitos do Creative Commons, ou seja, para uso livre.

Para curtir seu momento hollywoodiano...

Fotos: Regina Azevedo / Equipe Flickr

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